Caso das búfalas: o hediondo recorrente

Foto: Polícia Ambiental/Divulgação

Apesar de escandalosos, casos como o abandono de mais de mil búfalas no sítio de Água Sumida, município de Brotas (SP), denunciado no início deste mês, não são isolados. Só no Brasil, há diversas denúncias de maus-tratos a animais em larga escala, como os 25 mil bovinos em péssimas condições dentro de um navio a serem exportados para a Turquia, e os 800 jumentos também em estado deplorável numa fazenda de Canudos (BA) em 2019, que seriam posteriormente encaminhados para abate, porém sem nenhuma documentação de origem, sanidade e completamente desprovidos de sombra, água e comida. Mesmo com a rusticidade dessa espécie, a maioria não sobreviveu a tão intensa barbaridade.

Então, por mais hediondos que esses crimes sejam considerados pela sociedade civil, por que continuam acontecendo? O episódio das búfalas consiste em mais uma representação do desamparo, não apenas em âmbito legislativo e jurídico, mas também moral, quando se trata de animais explorados para consumo humano. Tais crimes seriam encarados com muito mais revolta e indignação se tivessem ocorrido com animais de companhia, como cães e gatos. Não que esses não mereçam a referida atenção, mas a atenuação dos fatos evidenciados em piquetes e galpões de fazenda é especista e, consequentemente, injusta. A sociedade reconhece que esses animais sofrem nas circunstâncias reportadas, entretanto muitas pessoas ainda mantêm a distância e o desapego que a pecuária criou. 

A realização da denúncia é um começo, contudo é preciso que diversos atores (produtores, políticos, juristas e consumidores) levem esses casos a sério, analisando aspectos éticos, e não apenas o viés econômico da atividade em questão. São necessárias eficientes fiscalização, responsabilização, punição e ações corretivas.

Enquanto a objetificação dos animais de produção for legitimada pelo agronegócio sem a devida preocupação de como os produtos chegam ao consumidor final, mais manchetes como a dos búfalos e jumentos chegarão aos leitores. A sociedade está começando a entender esse cenário, mas ainda não é o suficiente para os animais.  

Entenda mais sobre o caso aqui. 

Patrycia Sato
Presidente e Diretora Técnica da Alianima

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