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5 ações do governo Bolsonaro que colocaram os animais e o meio ambiente em risco

Com o fim do mandato de Jair Bolsonaro (PL) e com a proximidade de novas eleições presidenciais, é hora do eleitor preocupado com essas pautas considerar os retrocessos dos últimos quatro anos que colocaram a fauna e flora brasileiras em perigo. Veja 5 ações do governo Bolsonaro que colocaram os animais e o meio ambiente em risco

Não faltaram recordes negativos no Governo Bolsonaro “no tocante” ao meio ambiente e seus ecossistemas: a Amazônia e o Cerrado nunca foram tão devastados, a lista de agrotóxicos liberados nunca foi tão grande e o Brasil bateu o recorde de abates de frangos e suínos ao mesmo tempo a população voltou a enfrentar a fome. Nenhuma dessas notícias é surpreendente – embora sempre revoltantes – na governança de quem é inimigo do meio ambiente declarado, defendendo o agronegócio com unhas e canetadas, desmoralizando e enfraquecendo órgãos e instituições, compactuando com a impunidade e facilitando a passagem da boiada enquanto já enfrentávamos a pandemia de Covid-19. 

Foto: Victor Moriyama / Greenpeace

Chegada a hora de uma nova oportunidade de eleger quem será o próximo presidente do país, separamos 5 ações do governo Bolsonaro que colocaram os animais e o meio ambiente em risco

  1. SANÇÃO DE LEIS QUE APOIAM RODEIOS E VAQUEJADAS 

Em setembro de 2019, entrou em vigor a lei 13.873/2012 sancionada por Bolsonaro que reconhece o rodeio, a vaquejada e laço “como expressões esportivo-culturais pertencentes ao patrimônio cultural brasileiro de natureza imaterial”. A lei também beneficia, por extensão, atividades como enduro, hipismo rural, provas de velocidade, cavalgada, cavalhada, concurso de marcha, corrida e polo equestre. 

Um mês antes da sanção da lei, o presidente compareceu a 64ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos (SP) e declarou que aprovaria a lei assim que chegasse às suas mãos, e que é contra o “grupo do politicamente correto que quer impedir festas desse tipo no Brasil”. Porém, rodeios e vaquejadas são práticas extremamente cruéis contra os animais, realizadas exclusivamente para o deleite e lucro de humanos. 

No mesmo ano, o presidente instituiu o Dia do Rodeio, celebrado no dia 4 de outubro, paradoxalmente na mesma data em que se comemora o Dia Mundial dos Animais. 

Foto: Reprodução/ Twitter

2. TRANSFERÊNCIA DO SERVIÇO FLORESTAL BRASILEIRO PARA O MINISTÉRIO DA AGRICULTURA 

Um dos primeiros atos do governo de Jair Bolsonaro, no início de 2019, foi tornar o Serviço Florestal Brasileiro uma unidade da estrutura básica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), liderada na época pela ministra e ex-presidente da “bancada ruralista”, Tereza Cristina, e hoje pelo recém-empossado, ministro Marcos Montes. Antes da medida provisória que transferiu essa competência ao MAPA, o SFB era ligado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA). O Serviço Florestal Brasileiro é responsável pela gestão do Cadastro Ambiental Rural (CAR), base de dados estratégica para o controle, monitoramento, combate ao desmatamento e planejamento ambiental e econômico – questões importantíssimas para a proteção ambiental, mas de total interesse do agronegócio. Recentemente, um estudo publicado na revista Land Use Policy, apontou que aproximadamente 90% da área presente nos cadastros da região não estão de acordo com as leis ambientais brasileiras e podem estar sendo usados para grilagem em terras públicas no Amazonas.

3. FLEXIBILIZAÇÃO E APOLOGIA AO PORTE DE ARMAS E A CAÇA

Mesmo antes de assumir a cadeira da presidência, Bolsonaro já deixava claro sua posição em defesa da caça, considerando a prática um “esporte saudável”. Após eleito, seguiu fomentando por meio de decretos o porte de armas e a expansão da caça no Brasil, facilitando o acesso do grupo CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) ao armamento. O número de pessoas físicas que pediram registro para atuarem nessas categorias aumentou 43,3% de 2019 para 2020, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado em 2021.

A caça é proibida no Brasil, mas além de faltar fiscalização das atividades dos “caçadores” pelo Exército Brasileiro, a exceção à caça legal aos javalis se tornou uma desculpa para matar e para obtenção do porte de armas, podendo ser utilizadas também para fins que ameaçam, além dos animais, a sociedade civil. Além da caça se mostrar ineficaz no controle desses animais, os javalis, e outros são mortos de forma cruel e abusiva. A prática legal de caça aos javalis, inclusive, virou argumento perigoso a favor do PL 5.544/2020, que pretendia liberar a caça esportiva de animais silvestres no Brasil, mas que felizmente foi retirado de pauta na Câmara dos Deputados. 

Foto: Reprodução/ Instagram

4. DESESTRUTURAÇÃO DO IBAMA E DO ICMBio

Essas duas autarquias federais de extrema importância para a gestão ambiental e conservação da biodiversidade brasileira sofreram grandes abalos durante esses anos. Foram cortes orçamentários, bloqueio a novos concursos, falta de estrutura, destruição de leis ambientais, ingerência de políticos aliados a segmentos fiscalizados por lei, entre outros. 

Em abril de 2019, por exemplo, Bolsonaro assinou um decreto que burocratiza as multas ambientais do Ibama por meio do do projeto de criação do “Núcleo de conciliação”, que pode mudar o valor ou até mesmo anular multas por crimes ambientais. Em janeiro de 2022, o presidente comemorou a redução de 80% das multas do campo enquanto o desmatamento aumentou. 

Desde outubro de 2020, o MMA estuda uma possível fusão entre o Ibama e o ICMBio. Segundo artigo publicado na Folha de SP por pesquisadoras e profissionais que acompanham o trabalho dos órgãos, essa fusão “dificultaria a agilidade dos processos, a integração dos sistemas, a divisão do orçamento e de pessoal – que já são insuficientes, comprometendo seus resultados”

5. ENFRAQUECIMENTO DO INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS (INPE)

Em julho de 2021, uma medida do governo retirou do Inpe, órgão técnico vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), o monitoramento e divulgação sobre dados de queimadas e incêndios florestais do país, passando o encargo para o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), subordinado ao MAPA. Especialistas viram na mudança uma manobra para controlar a informação, favorecer quem pratica ações criminosas e enfraquecer o órgão já tão atacado pelo presidente que chegou a dizer que os dados sobre o crescimento do desmatamento no Brasil publicadas pelo Inpe em 2019 eram “mentirosos”. O instituto, apesar de ser uma das mais relevantes instituições científicas do país, possuir reconhecimento internacional e contribuir no monitoramento ambiental, com foco na floresta amazônica, passa por forte restrição orçamentária. Em 2021, o desmatamento da Amazônia foi o maior dos últimos 10 anos, de acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Os dados apontam que mais de 10 mil quilômetros de mata nativa foram destruídos no ano passado –  um crescimento de 29% em relação a 2020. Milhares de animais morrem ou ficam gravemente feridos com a devastação dos biomas.

seleção genética de animais

Quando vamos traçar limites éticos para a seleção genética de animais?

Nós, humanos, temos nos relacionado com outras espécies animais há séculos. Cientistas acreditam que os cães foram os primeiros a serem domesticados. Por meio de relatos arqueológicos, sugerem que há mais de 14.000 anos temos estabelecido com eles uma cooperação mútua para caça, proteção e companhia. E aproximadamente 12.000 anos atrás, teríamos começado a domesticar outros animais, como carneiros, para deles obtermos carne, leite e lã.

Desde então, o caráter exploratório dos animais pelos humanos foi se acentuando. A partir do entendimento básico de hereditariedade, o ser humano começou a cruzar animais com características e/ou habilidades desejáveis, no intuito de mantê-las ou aumentá-las nos descendentes, promovendo o surgimento de raças com aptidões específicas, como cães mais adaptados para caça, ou cavalos mais mansos. 

Com o desenvolvimento da engenharia genética, desde meados do século XX, a seleção artificial tem sido altamente aplicada. Sobretudo em um cenário pós-Segunda Guerra Mundial, quando a produção de alimentos passou por um processo de intensificação para suprir uma população que voltava a crescer, a pecuária acompanhou a modernização agrícola, de modo a impulsionar ao máximo a produtividade. Dentre diversas tecnologias, a seleção genética foi uma forte aliada, uma vez que permitiu um crescimento acelerado dos animais, aumento na produção de leite, maior desenvolvimento de músculos para cortes de carne mais interessantes comercialmente, mais leitões nascidos por parto, entre outros.

As mudanças, mesmo que promovidas gradativamente, são exorbitantes. A produção de leite de algumas raças bovinas, como a Holandesa, mais que dobrou nos últimos 40 anos; as porcas, que antes geravam em torno de 7 filhotes a cada gestação, hoje dão à luz mais de 12 leitões que ganham muito mais peso em muito menos tempo, principalmente por maior desenvolvimento das áreas do lombo e do pernil; galinhas poedeiras que, de 15 ovos por ano, agora põem cerca de 300; e os frangos que, assim como os suínos, crescem muito mais rápido (até 3 vezes mais que o natural) e desenvolvem mais a musculatura de peito para atender o mercado. 

seleção genética de animais
Vaca da raça Holandesa com elevada produção de leite por seleção genética.
Fonte: Sinergia Animal

Entretanto, todas essas alterações nos corpos dos animais causam inúmeros prejuízos ao seu bem-estar. As vacas comumente manifestam problemas de saúde, como mastite (processo inflamatório bastante doloroso), laminite (inflamação nos cascos, chegando a mancar) e cetose (distúrbio metabólico). Os porcos apresentam maior mortalidade ao nascer, comportamento mais agressivo (lesionando uns aos outros), doenças metabólicas, sofrem muito mais com o calor, são mais vulneráveis ao estresse, e as reprodutoras frequentemente passam fome porque demandam mais energia e nutrientes para gerar mais filhotes. As aves poedeiras também ficam mais agressivas (há incidência de aves mortas em gaiolas por conta das bicadas) e sofrem de osteoporose por falta de cálcio, que é retirado dos ossos para produzir a casca dos ovos. Já os frangos apresentam doenças metabólicas, locomotoras e cardiovasculares, porque seu coração, pulmões, ossos e outros órgãos não acompanham o veloz crescimento dos músculos em apenas 42 dias, quando são enviados ao abate.

seleção genética de animais
seleção genética de animais
A linhagem genética comercial origina um porco mais pesado, com dificuldade de locomoção e quase sem pelos para se proteger do calor e do sol. Fonte: Starvet
seleção genética de animais
Frangos de corte atingem seu peso de abate aos 42 dias, apresentando diversos distúrbios.
Fonte: Oikeutta eläimille

Além do sofrimento causado aos animais, a justificativa do aumento da produtividade para alimentar uma crescente população humana é bastante questionável. Não apenas pelo fato da pecuária industrial promover drásticos impactos ambientais, mas também por ser um sistema de produção de alimentos extremamente ineficiente do ponto de vista energético: em média, para alimentar os animais criados para consumo, são usadas aproximadamente dez vezes mais calorias do que as contidas em sua carne. Portanto, as toneladas de grãos cultivadas, como a soja, o sorgo e o milho, necessárias para alimentar os bilhões de animais que são abatidos anualmente, poderiam ser destinadas de forma mais eficiente para alimentar diretamente a população humana. Fora que muitos desses produtos de origem animal não são economicamente acessíveis a todas as camadas sociais. Há muito gasto de energia, terras, água limpa, mão-de-obra, combustível para produzir e exportar/comercializar esses alimentos. E a aceleração da engorda dos animais não torna a atividade mais sustentável, visto que a indústria tende a produzir cada vez mais, e não a reduzir o seu impacto social e ambiental. 

Dado esse conflito ético e ineficácia, a saída então seria frear esse suposto melhoramento genético, a fim de originar animais que crescem em um ritmo mais próximo do natural, o que reduziria muitos problemas de saúde e bem-estar. Aliado a essa medida, é preciso compreender que o consumo de produtos de origem animal deve ser gradativamente reduzido pela população geral, porque o planeta não comporta mais sucessivos recordes de produção, e os animais não deveriam ser submetidos a tantas manipulações excruciantes para atender um hábito (não uma necessidade).

A Alianima atua para reduzir as piores práticas da pecuária industrial, como o uso de linhagens genéticas de crescimento rápido, além do alojamento em celas e gaiolas, e procedimentos dolorosos rotineiros na produção animal.

Referências

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CARVALHO, P. N. de. Da crise à abundância: Segurança alimentar e modernização agrícola na Europa no pós-Segunda Guerra Mundial. Revista História & Perspectivas, [S. l.], v. 31, n. 59, p. 141–154, 2019. DOI: 10.14393/HeP-v31n59p141-154. Disponível em: <https://seer.ufu.br/index.php/historiaperspectivas/article/view/49370>. Acesso em: 11 mar. 2022.

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FIGUEIREDO, E. A. P. Melhoramento genético de suínos – o exemplo americano. In: GENTILINI, F. P.; ANCIUTI, M. A. (Org.). Tópicos atuais na produção de suínos e aves. Pelotas: IFSul/Pelotas, 2013. p. 160-190. Disponível em: <https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/96727/1/final7179.pdf>. Acesso em: 09 mar. 2022.

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MORAES, V. G.; CAPANEMA, L. A genética de frangos e suínos – a importância

estratégica de seu desenvolvimento para o Brasil. BNDES Setorial, v. 35, p. 119-154, 2012. Disponível em: <https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/bitstream/1408/1492/3/A%20set.35_A%20gen%C3%A9tica%20de%20frangos%20e%20su%C3%ADnos_P.pdf>. Acesso em: 11 mar. 2022.

OLTENACU, P. A.; BROOM, D. M. The impact of genetic selection for increased milk yield on the welfare of dairy cows. Animal Welfare (pre-publication copy), v. 19(S), p. 39-49, 2010. Disponível em: <https://www.researchgate.net/profile/Donald-Broom/publication/228675305_The_impact_of_genetic_selection_for_increased_milk_yield_on_the_welfare_of_dairy_cows/links/5703a63d08aeade57a25a970/The-impact-of-genetic-selection-for-increased-milk-yield-on-the-welfare-of-dairy-cows.pdf>. Acesso em: 12 mar. 2022.

RINCON, P. Dogs are humans’ oldest companions, DNA shows. BBC News website, 2020. Disponível em: <https://www.bbc.com/news/science-environment-54690458>. Acesso em: 10 mar. 2022.

o que é um chester

Afinal, o que é um chester?

Você já viu algum chester vivo? Seria um tipo de frango? Ou apenas uma marca? Desmistificamos aqui todos os mistérios que rondam esse animal, fruto de seleção genética, consumido vastamente nas ceias natalinas brasileiras.

A forma como celebramos o Natal no Brasil é muito curiosa, já que, mesmo com as altas temperaturas, decoramos a casa com pinheiros e flocos de neve, sempre na esperança que o bom velhinho traga – via chaminé que não possuímos – presentes embrulhados com papéis bonitos que rasgamos e jogamos no lixo. O ponto alto dessa celebração que absorveu muito da cultura norte-americana e europeia é a mesa da ceia, geralmente composta por várias opções de carne animal assada, como o peru, o lombo, o tender e o…chester! Esse último, o chester, é um popular advento nacional, mas que assim como outros produtos oriundos de animais de produção, apresenta problemas de bem-estar animal na sua cadeia produtiva por conta da seleção genética e das condições de confinamento.

o que é um chester
Reprodução Google

Para acabar logo com o mito: o Chester® é uma marca registrada da Perdigão. Trata-se da mesma espécie que o frango convencional, só que maior. Com o objetivo de disputar mercado com o peru da Sadia, que na época era concorrente da Perdigão (hoje as duas marcas são da BRF), o Chester é originado de uma seleção genética que promove o crescimento da região do peito maior que o natural e, segundo a fabricante, essa ave tem 70% da carne concentrada no peito e nas coxas. 

O grande problema é que a engenharia genética seleciona características desejáveis para maior produtividade e lucro, e essas intervenções atrapalham o desenvolvimento natural dos animais, gerando problemas locomotores (ósseos e articulares) dolorosos, sobrecarga de coração e pulmões, lesões de pele e nas patas. Isso faz com que as aves deixem de comer e interagir decentemente durante sua curta vida. O abate não foge muito do que acontece com os frangos da indústria alimentícia: o “chester” é abatido com mais ou menos 60 dias de vida, enquanto o frango “comum” é abatido aos 42 dias. 

chester

Por 40 anos (até 2020!), a Perdigão não divulgou imagens de um “chester vivo”, o que gerou muitas especulações e incutiu no imaginário coletivo a ideia de uma espécie de animal única, uma iguaria indispensável, reforçando com essa falta de transparência a dissociação da carne que encontramos nos congeladores dos supermercados com um ser vivo – e nesse caso, um ser vivo selecionado geneticamente que provavelmente sofreu muito para chegar até a nossa mesa enfeitada com pinhas natalinas. 

Que tal repensar sobre a necessidade do chester e todo produto de origem animal na sua ceia? O reino vegetal apresenta diversas opções que farão a sua celebração ser mais acessível para a realidade brasileira e sem sofrimento animal. Baixe agora o e-book “Ceia sem Sofrimento”, um projeto da Alianima em parceria com a Chef Samanta Luz, que apresenta, gratuitamente, um Menu completo 100% vegetal para as celebrações de fim de ano.

Uma porca interage com seus filhos atrás de grades

Por que as celas de gestação de suínos estão em discussão?

Prática de confinar porcas grávidas em celas de gestação de suínos levanta debate mundial sobre o bem-estar destes animais.

São muitas as crueldades da pecuária com os animais de produção, mas as celas de gestação de suínos passam de todos os limites éticos e é considerada a pior segundo inúmeros pesquisadores e profissionais da área. Mas, pela sua evidente nocividade a estes animais sencientes, não é preciso ser especialista para condenar a prática, muito menos combatê-la.

Porca prenha em cela de gestação de suínos.
We Animals Media

O Brasil é o 4º maior exportador de carne suína no mundo, segundo dados da ABPA de 2020, criando mais de 2 milhões de porcas reprodutoras (matrizes) para gerarem os porcos que vão para o abate. Para ser mais rentável e requerer menos mão-de-obra, as porcas são colocadas em celas individuais, que têm praticamente o tamanho do seu corpo, o que impede seus movimentos. Além do desconforto físico, os animais não conseguem interagir decentemente entre si, explorar o ambiente, nem construir ninho antes do parto. Essa baixa atividade gera problemas locomotores, como a manqueira, urogenitais, atrofia muscular e distúrbios comportamentais.

Além dos fatores a que as mães são submetidas, os leitões também são alvos de práticas impiedosas logo depois de nascerem. Em granjas comerciais de criação de suínos, esses filhotes são retirados do convívio materno aos 21 dias de vida, um mês antes do que aconteceria na natureza. Logo após a separação da mãe, são encaminhados para baias onde se alimentam exclusivamente de ração, o que não é o ideal, Também é muito comum realizar nos leitões procedimentos intensamente dolorosos sem anestesia ou cuidados posteriores, como castração e cortes de dentes, orelhas e caudas.

Uma porca interage com seus filhos atrás de grades
We Animals Media

Hoje, felizmente, existe a Instrução Normativa 113, de 16 de dezembro de 2020, onde são estabelecidos padrões e condutas favoráveis ao bem-estar desses animais na indústria. Diversas granjas já começaram a adotar práticas de bem-estar animal como alojamento conjunto das matrizes em fase de gestação em baias grandes. Contudo, ser um consumidor consciente é a melhor maneira de não colaborar com a perpetuação desta realidade. Estar atento à origem do seu alimento e evitar, se possível, a compra de produtos que ainda são produzidos por esses sistemas ajuda a acelerar a adoção de melhores práticas que contemplem o bem-estar animal.⠀

We Animals Media

A Alianima trabalha para reduzir o sofrimento dos animais utilizados na produção de carne suína ao dialogar com a indústria para pôr fim ao uso de celas de gestação e proporcionar melhores condições de manejo de leitões. Para saber mais sobre como nosso trabalho impacta a vida desses animais, acesse o Observatório Suíno 2020.