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04 de novembro, 2026

Suinocultura brasileira registra avanços em bem-estar animal e tem novos desafios pela frente

Sétima edição do Observatório Suíno, da Alianima, mostra que cerca de 45% das matrizes do país já estão em baias coletivas; financiamento e adequação das instalações seguem entre os principais entraves à transição

A suinocultura brasileira tem avançado na adoção de práticas de bem-estar animal, mas ainda enfrenta desafios para acelerar a transição dos sistemas de alojamento e aprimorar as condições oferecidas às matrizes e aos leitões. É o que aponta a nova edição do Observatório Suíno, levantamento anual realizado pela Alianima que monitora os compromissos e as práticas de fornecedores e empresas compradoras de carne suína. Neste ano, 11 fornecedores foram convidados a participar do estudo, dos quais dez responderam ao questionário.

Clique aqui para acessar a 7ª edição do Observatório Suíno.

De acordo com o estudo, 45,1% das matrizes suínas do país estão alojadas em baias coletivas durante a gestação. O percentual representa um avanço de apenas 0,2 ponto percentual em relação a 2025, quando a estimativa era de 44,9%. O resultado evidencia que, embora a transição esteja em curso, ainda há espaço significativo para ampliar e acelerar a adoção desse sistema.

Entre os fornecedores que responderam ao levantamento, a JBS e a Ecofrigo alegam ter alcançado 100% de suas matrizes em baias coletivas na fase de gestação, enquanto a Pamplona chegou a 97%, aproximando-se da conclusão da transição dentro do prazo de 2026. A Alegra Foods e a Alibem também se destacaram pela evolução anual, com aumento de 12 pontos percentuais cada na proporção de matrizes alojadas nesse sistema.

Os resultados mostram que a evolução é possível, mas ocorre em ritmos diferentes. Aurora, Frimesa e MBRF, que possuem compromissos com prazo de conclusão em 2026, não apresentaram avanços considerados suficientes ao longo dos anos monitorados e, segundo a análise do Observatório, dificilmente concluirão a transição dentro do prazo estabelecido.

Financiamento continua sendo um dos principais desafios

A adaptação das instalações existentes e a construção de estruturas adequadas exigem investimentos, planejamentos e mudanças no manejo dos animais. Na edição deste ano, 80% dos fornecedores respondentes apontaram o financiamento como uma dificuldade para avançar na transição. A precificação do produto final foi mencionada por 70% e o planejamento das instalações, por 60%.

As empresas também destacaram desafios relacionados aos custos de adequação, ao acesso a linhas de crédito e à necessidade de adaptar estruturas projetadas originalmente para o alojamento individual. Para cooperativas e produtores de menor porte, a transição precisa considerar as condições financeiras e operacionais de cada propriedade.

“O cenário reforça a importância de um esforço conjunto entre produtores, empresas compradoras, instituições financeiras e poder público para viabilizar as mudanças necessárias. O objetivo é permitir que os compromissos assumidos sejam convertidos em melhorias efetivas nas condições de alojamento, sem desconsiderar os desafios técnicos e econômicos envolvidos”, ressalta Maria Fernanda Martin, zootecnista e gerente de bem-estar animal da Alianima.

Bem-estar também exige atenção à maternidade

Além das condições de alojamento durante a gestação, o Observatório Suíno acompanha práticas relacionadas à maternidade. Nessa etapa, os dados indicam que ainda há desafios importantes para ampliar o espaço disponível às matrizes e permitir a expressão de comportamentos naturais.

Na edição de 2026, 60% dos fornecedores afirmaram ter planos para oferecer mais espaço às matrizes na maternidade, mas somente em novas instalações. Os outros 40% não indicaram planos para essa ampliação.

Outro ponto de atenção é o enriquecimento ambiental que permite às matrizes expressarem o comportamento de nidificação, isto é, preparar um ninho antes do parto, como fazem na natureza. Segundo o levantamento, 70% dos fornecedores não oferecem atualmente esse recurso. Em relação à sua adoção futura, 30% disseram ter planos para implementá-lo, enquanto 40% não indicaram intenção de fazê-lo, mesmo estando descrito na Instrução Normativa 113.

O manejo dos leitões também permanece como um desafio. O corte de cauda, prática utilizada para tentar reduzir episódios de mordedura entre os animais, ainda encontra resistência: 80% dos fornecedores não pretendem abolir o procedimento. Neste ano, apenas a JBS se juntou à MBRF dizendo que também pretende banir o método.

A Alianima destaca que a busca por alternativas precisa considerar as causas multifatoriais desse comportamento, incluindo as condições de alojamento, o manejo e o enriquecimento ambiental.

Por outro lado, há resultados positivos em práticas específicas. Pelo terceiro ano consecutivo, 100% dos fornecedores respondentes declararam não realizar castração cirúrgica sem anestesia. Além disso, 80% informaram ter banido o desbaste dos dentes dos leitões.

Outro avanço identificado pelo Observatório Suíno diz respeito à idade de desmame dos leitões: pela primeira vez, 100% dos fornecedores disseram que adotam 24 dias ou mais de média de desmame, mostrando que o setor está se adequando ao determinado pela IN 113.

Compromissos e colaboração para avançar

Desde seu lançamento, em 2020, a iniciativa busca dar visibilidade aos avanços, identificar gargalos e estimular a melhoria contínua da cadeia produtiva. 

Para a Alianima, o cenário reforça a necessidade de reconhecer as iniciativas que avançam e, ao mesmo tempo, fortalecer a colaboração entre os diferentes elos da cadeia. A ampliação do acesso a financiamento, a troca de experiências e a transparência sobre os resultados são aspectos importantes para transformar compromissos em mudanças concretas e duradouras.

“Os resultados mostram que não existe uma única solução para todos os desafios da cadeia. É importante que as experiências bem-sucedidas sejam compartilhadas e que as dificuldades sejam discutidas de forma prática, considerando as diferentes realidades de produção. Com informação técnica e planejamento, é possível identificar caminhos para ampliar as melhorias e dar continuidade à evolução do setor”, conclui a porta-voz.

Imagem em destaque: Pexels 

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Imagem: Freepik

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